domingo, julho 21

Matéria interessante no JB sobre os 13 anos do primeiro debate entre os presidenciáveis de 89, transmitido pela Bandeirantes e mediado pela Marilia Gabriela. Lembro que estava passando férias na casa do meu avô e acompanhei tudo atentamente, embora nem tivesse idade para votar. E pensar que de lá pra cá foi tudo tão sem graça... a que ponto cheguei, nostalgia até de eleição.
Momentos memoráveis daquela campanha: Brizola taxando de “Filhote da ditadura” qualquer candidato conservador que lhe pisasse o calo. Maluf e o conselho que entrou para a história: “Está com desejo sexual? Estupra, mas não mata.”. Nos jornais do dia seguinte ao debate, a justificativa do ausente Collor para não assisti-lo nem pela TV: “E você acha que eu ia perder a Tela Quente na Globo?”. Hilário! E mesmo assim ele foi eleito, não é à toa que o Brasil não sai da lama.

Ah, o filme que fez o Collor preterir o debate? Tratava-se de Admiradora Secreta. Mas não perguntem como é que eu consigo lembrar disso.

quinta-feira, julho 18

Na última terça eu estava num dia atípico, totalmente consciente dos sons e imagens que pairavam à procura de quem lhes enxergasse algum significado. Foi impossível evitar. Peguei o ônibus e no banco em frente ao meu estava sentado um sujeito tendo ao colo um menino de uns cinco anos que presumi ser seu filho. Sujos de areia e exalando aquele característico cheiro de água do mar, só podiam estar vindo da praia. Chamou a atenção a maneira como o indivíduo beijava, acariciava, cheirava e murmurava palavras indecifráveis para o guri, que se limitava a exprimir um certo conformismo com a situação. Conforme o coletivo seguia seu caminho, aquela interminável e efusiva demonstração de afetividade começou a me incomodar. Pensei lá com meus botões: Só falta agora ele passar a, literalmente, lamber a cria. Felizmente vagou um lugar mais adiante e pude trocar de panorama. Ameaçava ficar imerso em pensamentos, quando fui despertado por um estridente gorgolejo, a título de risada, vindo do banco detrás. Uma voz feminina, com forte sotaque nordestino, debochava do cabelo “igual do Elvis” que fulano tinha. Será que sou eu?, pensei assustado. Embora não ostente um penteado como o do Rei, sou meio paranóico e sempre desconfio que estão falando de mim pelas costas. Enquanto me debatia em dúvidas, a conversa evoluiu para o medonho topete adotado pelo Ronaldinho. A analista capilar criticava uma mulher que apareceu na TV imitando o jogador. Sua interlocutora rebateu o comentário e garantiu ser capaz de tal ousadia, inclusive já incorporara o visual de Ivete Sangalo em priscas eras. Prática depois abandonada, fruto da decepção por Ivete se esquecer dos baianos ao ficar famosa. Confesso que diante de tão pungente desabafo quase fui às lágrimas. Como vocês devem ter notado a conversa alcançava seu clímax, mas infelizmente vou ficar devendo o desfecho. Meu destino final chegara e desci contrariado para a calçada.
Para encerrar o dia, avistei na rua uma senhora passando um pito caprichado no garotinho que caminhava ao seu lado. No instante em que nossos caminhos se cruzaram, ela dirigiu um olhar severo para o moleque e disparou: "Mas você tá muito antipático hoje!". Não pude deixar de achar graça. Que eu me lembre nos meus tempos de criança jamais fui adjetivado dessa maneira (embora até merecesse). Pelo menos ninguém pode acusá-la de ser pouco original.

domingo, julho 14

Caso meus estimados leitores (?) não saibam, sou um modesto torcedor do glorioso Botafogo de Futebol e Regatas. É verdade, podem acreditar. Não somos tão poucos como dizem as más línguas. Pois então, mais um Campeonato Brasileiro se aproxima e temos tudo para repetir as performances mais recentes, que consistiram, basicamente, em tentar fugir do rebaixamento. Nessas ocasiões, o Arthur Dapieve costuma surgir com algum artigo descrevendo o miserê existencial que constantemente aflige os alvinegros. Bom, enquanto essa salutar iniciativa não é tomada, vou aproveitar o gancho para expor os motivos da minha escolha clubística.
Claro que a tradição familiar pesou bastante, mas posso dizer que torcer pelo Botafogo é, antes de tudo, uma questão de caráter. Precisei de muito para não ceder à tentação do caminho fácil e virar adepto de Flamengo, Vasco ou Fluminense, clubes mais populares e que sempre disputavam títulos (refiro-me ao passado, notem bem). Ao escolher o time da estrela solitária, eu estava afirmando minha individualidade e aceitando as conseqüências desse ato. A década de 80 não era a época mais recomendável para uma criança se revelar torcedora do Botafogo. Corria o auge do jejum de 21 anos sem títulos, período marcado por jogadores pavorosos e campanhas pífias. Suportei estoicamente o implacável deboche infantil e me conformei em sempre ser o único botafoguense da sala, quiçá da escola inteira.
Nos domingos à noite, eu gostava de assistir à mesa redonda da TVE com seus cronistas esportivos do quinto escalão, liderados por um negão de penteado black power, medalhão no pescoço e roupas berrantes, espécie de refugo de Woodstock. O programa tinha o apoio dos tapetes 3B-Rio, que durante algum tempo estampou sua valorosa marca na camisa do Botafogo. Sentiram o drama? Meu time era patrocinado por uma empresa que fabricava tapetes de automóveis! Isso é que é ser decadente... Após o encerramento do debate, era exibido o VT de algum jogo da rodada do Campeonato Carioca no qual o Botafogo invariavelmente perdia. Até hoje me lembro do nome de alguns dos perebas que transformaram minha infância num pesadelo sem fim: Luis Carlos, Perivaldo, Brasília, Vágner, Petróleo, Helinho, Mirandinha...
Também existe um componente masoquista na fórmula, já que tudo pro Botafogo acontece de forma sofrida. O torcedor, lá no fundo, sente um certo prazer em se descabelar de raiva com os fiascos que ocupam 90% da vida do clube. Isso só torna os 10% restantes mais especiais. Afinal, que graça pode existir em torcer para um time que ganha sempre? Claro que nem tudo é desgraça, podemos nos gabar do fato dos melhores jogadores brasileiros terem envergado nosso uniforme, servindo de base para três títulos mundiais do Brasil. Pena que isso tudo ocorreu muito antes do meu nascimento.
Não é à toa que eu tenho essa mentalidade derrotista, o Botafogo me ensinou a sempre esperar pelo pior. Mas, mesmo com toda a sua desdita, o alvinegro é um ser orgulhoso e procura distinguir-se da histérica turba adversária. Nos agrada ironizar esse povo incapaz de identificar a bola, mas que imagina subir de status por se declarar “framengo” (lembro que tempos atrás o Dapieve escreveu uma polêmica coluna sobre o totalitarismo rubro-negro). Talvez isso explique porque resisto em torcer pelo Brasil. Senão vejamos: é a seleção mais bem sucedida do planeta com suas 5 Copas conquistadas; conta, em tese, com o apoio de 170 milhões de torcedores; goza de grande popularidade no Terceiro Mundo e em alguns países do Primeiro; a mídia internacional está sempre a lhe rasgar elogios. Assim fica fácil. Quero ver torcer pela Ilha de Montserrat, última colocada no ranking da Fifa.
Enfim, quem sabe este ano ocorra um milagre e o Botafogo faça um papel digno. Eu poderia até me animar a arriscar uma ida ao Maracanã, a última vez foi no ano passado contra o Paraná. O resultado? Perdemos de 2 a 0... mas conservamos a fleuma.

sábado, julho 13

Opa! Ainda tô vivo, caso alguém esteja interessado nessa informação. É uma vergonha, novo blog mal começou e já fiquei quase uma semana sem postar nada. Eu juro que vou tentar escrever alguma coisa nos próximos dias. Embora tolas, idéias não me faltam. O problema é a preguiça de realizar o trajeto até o Word para tentar colocar algum sentido em tudo.

domingo, julho 7


É grave a crise...

Enquanto mais uma modorrenta tarde de sábado ia se desenrolando, eu zapeava a televisão à procura de algo que fizesse o tempo passar logo. Sintonizei a Globo, que exibia aquela versão recauchutada do velho show de calouros. Estupefato, identifiquei entre os candidatos a 15 minutos de fama o ex-ministro Delfim Netto. Ao que parece ele decidiu largar mão desse negócio de economia e abraçou a carreira musical. O que só pode significar uma coisa: a situação do país tá pior do que a gente imagina.

sábado, julho 6

Well, deixa eu escrever alguma coisa aqui para não perder o costume logo de cara. Que assunto eu poderia abordar? Humm... Infelizmente não sou um dos felizardos que todo dia têm algo palpitante para contar. Talvez eu pudesse dar uma lida nos jornais online e depois comentar aqui, mas isso não faz o meu estilo, não sou desses que têm opinião sobre tudo. Acho que vou seguir na mesma linha editorial: algumas esquisitices e enrolação no restante do tempo.
Por um acaso, alguém aí já ouviu 'Love makes the world go round' com as Meninas Super Poderosas? É duro admitir, mas eu baixei a mp3 e gostei. Aquelas vozinhas agudas são muito engraçadas. Acho que pega mal ficar revelando essas fraquezas de caráter, mas eu adoro ouvir bobagens do tipo. Começou dez anos atrás, quando comprei os dois primeiros cds daquela coleção Television's Greatest Hits, só com temas de desenhos e seriados dos anos 50 e 60. Mas então, tava pensando se o pessoal do Teenage Fanclub consideraria a hipótese de regravá-la em seu próximo disco. Norman, Gerry e Ray teriam um prato cheio com as harmonias vocais do refrão. :)

Open your eyes and take in everything that you see
Look at all the colors, red, yellow, blue and green
We can take an airplane and fly across the globe
Look down upon the colors, everyone c'mon, let's go
Because...


Love, love, love, la la love
La La Love makes the world go round
Love, love, love, la la love
La La Love makes the world go round

quarta-feira, julho 3



Conforme a febre da Copa alcança os seus momentos derradeiros, os sites dedicados ao futebol vão fazendo o balanço final da competição. Bom, eu achei, no mínimo, interessante conferir o olhar estrangeiro sobre a participação brasileira durante todo esse tempo. Nem que fosse pra dar risada com o excessivo uso de clichês sobre este exótico país tropical. Será que alguém ainda suporta ler mais uma referência à magia dos "samba boys", eternos baluartes do tal "beautiful game"? Também não faltam os tarados de plantão a louvar as formas calipígias das torcedoras brasileiras presentes nos estádios, em detrimento das representantes de outros países. O que, venhamos e convenhamos, é uma tremenda falácia. Quem viu as imagens sabe que nossas conterrâneas apenas se destacaram por tirarem a roupa a troco de nada, no quesito beleza não estavam com essa bola toda. Taí essa beldade coreana que não me deixa mentir, pode-se afirmar que ela monopolizou a atenção das câmeras durante toda a Copa. E com merecimento. Se eu soubesse previamente de sua existência, teria vendido minhas tralhas e arriscado a sorte lá no longínquo Oriente. ;-)

domingo, junho 30

Engraçado como em determinadas situações a maior parte das pessoas não consegue manter a boca fechada, mesmo estando diante de um completo estranho. Parece existir um acordo tácito, sempre que ameaçadas pelo silêncio constrangedor danam a falar sobre trivialidades. De minha parte sou favorável ao silêncio total, ao menos é espontâneo. Essa tagarelice é muito comum entre barbeiros e motoristas de táxi, talvez pensem que pelo dinheiro gasto o cliente merece o bônus duma conversinha fiada. O dano máximo que pode ocorrer durante o corte de cabelo é ter decepado um pedaço da orelha, perigo mesmo é o motorista se empolgar muito com o debate e ir de encontro a um poste. Os diálogos esdrúxulos também podem surgir em filas e na hora de pegar o elevador. No dia seguinte à semifinal contra a Turquia, vivi um momento do tipo. Por não ser um bom fisionomista, tive sérias dúvidas sobre a identidade do morador que dividiu o elevador comigo, mas ele parecia saber bem quem eu era:

- Oi! Tudo bom?
- Oi... tudo.
Após um curto intervalo ele voltou à carga:
- Esfriou bastante, né?
- Pois é...
- Mas acho que amanhã vai fazer sol.
- ...
- E o Brasil, hein? Será que dá pra ganhar?
Ponderei por alguns milésimos de segundo se ficaria bem revelar que eu não sou propriamente um entusiasta da Seleção. Mas preferi evitar polêmicas e dar uma resposta padrão:
- É... vamo vê...
- E o Ronaldo ontem? Que coisa!
Não entendi bem se ele estava elogiando ou criticando, melhor não arriscar então:
- Uhum...
Depois do que me pareceu um século de espera, ele chegou no seu andar:
- Tchau! Vamo torcê, hein!
- (murmúrio incompreensível)...

sábado, junho 29

Pronto, a partir de agora é blog novo, vida velha. Aproveitando o post de estréia, é justo que eu pague tributo aos Beatles e à música que obviamente inspirou esse layout prá lá de tosco:

He's a real Nowhere Man
Sitting in his Nowhere Land
Making all his nowhere plans
For nobody
Doesn't have a point of view
Knows not where he's going to
Isn't he a bit like you and me?
Nowhere Man, please listen
You don't know what you're missing
Nowhere Man, the world is at your command


He's as blind as he can be
Just sees what he wants to see
Nowhere Man can you see me at all?
Nowhere Man, don't worry
Take your time, don't hurry
Leave it all till somebody else
Lends you a hand
Doesn't have a point of view
Knows not where he's going to
Isn't he a bit like you and me?
Nowhere Man, please listen
You don't know what you're missing
Nowhere Man, the world is at your command

He's a real Nowhere Man
Sitting in his Nowhere Land
Making all his nowhere plans
For nobody